E de repente, ela se pega pensando em milhões de coisas, as mesmas milhões coisas de sempre, de sempre quando a mente fica vazia.
Ela se vê quando criança, onde o mais importante era ter uma boneca pra cuidar e fingir de sua filha.
Ela se vê na quarta série, onde tirava ótimas notas e sua maior dificuldade era entender as terríveis frações que a matemática insistia em propor (e que até hoje ainda a confundem).
Aí ela já se lembra do primeiro amor...que delícia! Achava que aquele era o garoto com quem ela ia casar, ter seus filhos e já até sabia os respectivos nomes. Ela gostava tanto tanto dele, que até dividia esse amor com as amigas e não tinha aquela coisa chata de ciumes. Ela não conhecia o ciumes...ainda. Vieram depois as lembranças do segundo, terceiro e quarto amor...que na verdade, nem eram amor, era apenas a vontade de gostar. E ela gostava.
Quando ela pensa no presente, percebe que apesar de tudo no passado ter sido mais fácil, hoje era tudo mais gostoso. Ela sofria, chorava, sorria, cantava no banheiro, tinha a tal da tpm, mudava de opinião e mudava de novo, tinha poucos amigos, mas que era o suficiente pra ela ser feliz.
Ô menina que gostava das pessoas, que gostava de gente e que a gente gostava dela, e muito. Menina alegre com uma pitada de tristeza, extrovertida e um pouco chatinha, tão chatinha que todo mundo queria chegar mais perto.
Sim, ela era feliz...eu lembro. Mesmo com seus altos e baixos naquela vidinha que muitos não viam a menor graça. E o mais engraçado é que a graça toda ela depositava em si mesma e não fazia a menor questão de sair pro mundo mostrando isso. Ser feliz pra ela mesma bastava. As vezes parecia inútil, fúti, mas quem é que não é um pouco disso as vezes? Era fraca também, mas sabia se fingir de forte e quase conseguia acreditar que ela realmente era.
Hoje em dia, não consigo me descrever como nas linhas anteriores, mas de uma coisa eu tenho certeza: de tanto sofrer, sorrir, ser pisada e pisar um pouco também, virei uma mulher forte - ou quase mulher, mas ainda com vestígios de menina.
E veja, vale a pena. Vale a pena sofrer - não me chame de louca. Aprenda que a vida feita só de alegrias não existe, e se existir, é uma meia-vida. A alegria cura a trsiteza que depois vira uma alegria que vai criar uma tristeza que depois vai ser amenizada por uma alegria, e assim é um ciclo quase que natural.
Aprenda que a vida vivida de acordo com nós mesmos é mais gostosa. E se não conseguir aprender sozinho, tenha certeza que em alguma parte dessa sua grande vida, vai ter alguém disposto a te ensinar, e você vai querer aprender. E então, finalmente, essa pessoa vai ser aquela com quem você vai querer aprender a ser velhinho junto.
E veja, vai valer a pena.
Nenhum comentário:
Postar um comentário