quinta-feira, 9 de agosto de 2012

História de metrô

Adoro estar no metrô e ver tanta gente dentro de sua respectiva bolha, ouvindo sua musica alta, lendo seu livro ou só observando os outros, assim como eu.
Adoro pensar que cada uma daquelas pessoas tem uma história de vida, e que ao mesmo tempo que uma pode estar triste, a outra pode estar soltando fogos por dentro.
Eu quero um dia sentar numa estação de metrô, só com um banquinho e a minha paciência. Com uma placa "Ouço histórias" e esperar qualquer um vir começar a contar.
Observar pessoas é o que de mais legal eu faço quando ta tudo chato. Ja tentou? Ver como a menina sorri lendo a provável mensagem de um garoto qualquer. Ver como a mãe liga no fim de tarde pro filho falando que já esta voltando pra casa ou ver como o menino vai todo se achando malandro pra escola, mas mal tem barba na cara.
E mesmo eu conseguindo ver esses pequenos detalhes nas pessoas, eu queria mesmo é ouvir as milhares de histórias que passam pelo metrô todo dia. E se cruzam como se o outro não importasse. De fato, não importa. Mas eu to disposta a me importar. 

terça-feira, 17 de julho de 2012

São Paulo ao contrário.

Eu entendo que é da natureza ter as quatro estações, mas pô, parece que em São Paulo não tem isso não. É chuva no verão, calor no inverno, frio na primavera. É tudo invertido.
É a cidade em que você tem que sair de casa preparado pro que der e vier: tsunami, deserto do saara, vulcão, terremoto ou qualquer outro fenômeno.
Esse frio tá de sacanagem acho. Não só o frio né, porque você vai andando pela cidade e um termometro mostra 7 graus, outro mostra 11 e outro a 200 metros mostra 47. 
O frio dói, da carência e favorece meu sedentarismo. Da vontade de comer e dormir o dia inteiro, mesmo isso sendo a ultima coisa que você realmente pode fazer. 
Por isso que eu sempre digo que amo o verão. Na verdade, amo o calor e o sol, porque não ta dando pra confiar muito nessas estações. 
Se essa São Paulo fosse minha eu colocava uma ordem nesse tempo doido e mandava ladrilhar com pedrinhas de brilhante para o meu amor passar.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Decepção por opção

Decepção não mata, mas machuca. E a culpa de tudo isso é minha mesmo, que coloco muita expectativa nas coisas mais mínimas que existem. 
É o que eu sempre pensei - pensei, mas quase nunca consegui colocar em prática -: quanto menor a expectativa, menor a decepção. Ou seja, quanto mais alto você subir, maior a chance de a queda machucar. Já coloquei expectativa em muita coisa que não valia nem metade do que eu realmente esperava. Na nota que eu ia tirar na prova, no presente que eu ia ganhar de Natal ou do elogio que minha mãe ia fazer quando eu cortasse o cabelo, e o pior: esperei muito das pessoas. Esperei muito de gente que era quase nada. E esperar uma hora cansa. Ou dói.
Preguiça de gente que não sabe dar valor pro sentimento alheio. Egoísmo...é isso que é. Preguiça de gente que é preguiçosa demais pra enxergar além do próprio umbigo.
Um desejo: menos decepção e mais expectativa. Mais expectativas alcançadas e menos quedas doídas, pra mim. Pra nós.

domingo, 13 de maio de 2012

Ser mãe

Dizer que a minha mãe é a melhor do mundo é clichê, eu sei. Mas é o clichê mais óbvio do mundo.
Pô, que trabalho mais difícil. 
É a perda do sono tranquilo, a expectativa de ver os primeiros passos e de ouvir um primeiro "mamãe"...é a frustração de as vezes ter que ouvir primeiro "papai". É se preocupar de segunda a segunda sem direito de  descanso. É nunca estar de férias mesmo tendo isso todo ano. É ter que brigar com a pessoa que você mais ama no mundo e fazer ela entender que é só pelo bem dela.
É a alegria de ver a pessoa que cresceu primeiro dentro de você, crescendo fora agora. É crescer junto mesmo já sabendo de tudo...ou quase tudo. É aprender com quem você ensina diariamente.  É escolher cuidar mesmo sabendo que o médico já faz isso. É trocar a noite pelo dia e o dia pela noite sem que isso fizesse muita diferença. É gastar dinheiro com o maior prazer. É gastar muito dinheiro por obrigação. É saber que tem alguém, que mais do que ninguém, é sangue do seu sangue.
É ter um amor incondicional que só quem é mãe entende. É ter o orgulho de ter um dia do ano somente dedicado ao trabalho mais árduo e maravilhoso do mundo: ser mãe.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Inacabado

Era um dia. Um dia de chuva, em que a moça do cabelo ruivo só queria entrar num táxi e chegar na sua casa. Na casa que ela morava sozinha...mais ou menos sozinha, porque tinha o gato cinza que a fazia companhia.
Era um dia. E por pura coincidência, era o mesmo dia chuvoso das linhas acima. O rapaz de camisa branca só queria pegar um táxi e ir vistar sua mãe doente no hospital.
Havia um táxi, uma avenida cheia de trânsito e chuva. Muita chuva. Tinham duas pessoas com o mesmo objetivo de pegar um táxi, mas para destinos diferentes. Apareceu o táxi no meio daquela chuva e da história do rapaz da camisa branca e a moça do cabelo ruivo.
O resto da história eu deixo pra vocês concluírem. Os que estiverem tristes, eu deixo dar um fim trágico. E para os que estiverem alegres e apaixonados, sintam-se a vontade para transformar o "Era um dia" em "Era uma vez".

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Amor demais é demais.

Amo amar meus amigos. Odeio amar demais as pessoas.
Eu e essa minha mania de criar um sentimento gigante sobre as pessoas que são pequenas demais pra suportar: pequenas na mente e no coração.  Pô, tá tão difícil amar hoje em dia...e eu que tenho de sobra ninguém leva a sério.  Essa minha mania de abrir meu mostruário de sentimentos pra qualquer um que me der mais de cinco minutos de conversa, e depois perceber que a minoria dessas pessoas estavam de fato preocupadas comigo e que a maioria eram apenas curiosos.
Queria saber de onde o Criolo tirou que "não tem amor em sp". Com não tem? Tem sim senhor, e tem muito. É tão fácil ver o amor. E nem sempre é necessário os olhos pra enxergar. O cão-guia que acompanha seu dono em todos os lugares, o moço que dá uma moeda pra moça com um nenem pedindo dinheiro na rua, essa moça cuidando da sua criança, o motorista que parou no sinal verde pra deixar o estudante atrasado correr pra pegar o ônibus...isso tudo é amor.  Tem gente precisando entender que amor não é aquilo que o casal sente um pelo outro. Aliás, se você pensa que amor é só isso, queria te dizer que você se enganou...isso é egoísmo.
A gente foi feito de amor, literalmente. E de amor temos que viver.  Amar muito é gostoso, mas nem sempre é alegre. Quando você começar a reparar o quanto de não-amor as pessoas tem, aí sim você vai entender o começo desse texto. Mas não mude. Não mude porque amor faz bem, FAZ BEM.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Ela e a lágrima

O gosto que ela não esquecia era o da lágrima. Aliás, esse é um dos que ninguém esquece. 
Um sabor doce misturado com amargo. Que independente do motivo de ela cair, o gosto era o mesmo.
Nas vezes que ela chorava de alegria, era um dos melhores gostos que ela experimentava. Quando o motivo das lágrimas era a tristeza, ela também gostava de sentir aquele gosto, afinal no meio daquele turbilhão de sentimentos ruins, o gosto do choro era o melhor...ou o menos pior.
Mesmo quando estava no banho e tentava esconder o choro em meio aquela agua que nela caía, o gosto da lágrima quando chegava até a boca dela, era inevitável.
E mais uma vez ela se sentia triste por sentir-se sozinha. Veja, sentir-se sozinha. Não que ela estava. E a vontade de chorar vinha, mas ela queria ser forte, se sentir forte, se parecer forte. Era orgulhosa e não queria chorar na frente da menina que parecia ser a mais feliz do mundo: ela mesma. 
Engoliu o choro. Sentiu ele subir e descer de novo pro lugar de onde veio. Ouviu uma ou duas músicas alegres e viu algumas fotos que davam saudade...mas uma saudade feliz. Não teve jeito. A menina forte enfraqueceu em questão de segundos. Foi o tempo de correr para o banheiro, fechar a porta, olhar-se no espelho e se fazer companhia enquanto chorava. Via as próprias lágrimas caindo em direção a sua boca e sentia o gosto que ainda não havia definido se era bom ou ruim. Enxergava com os olhos meio embassados ela mesma ficando mais feia.
Era necessário que ela se visse feia chorando assim algumas vezes, como um estímulo. Quem foi que disse que chorar não é bom? Ela aprendeu que chorar era uma forma de desabafo consigo mesma e de alívio. 
Foi chorando que ela aprendeu a ser mais forte. Forte mas não de pedra. Ela se aturava, se consolava e se amava. Isso bastava - quase sempre.