segunda-feira, 16 de abril de 2012

Ela e a lágrima

O gosto que ela não esquecia era o da lágrima. Aliás, esse é um dos que ninguém esquece. 
Um sabor doce misturado com amargo. Que independente do motivo de ela cair, o gosto era o mesmo.
Nas vezes que ela chorava de alegria, era um dos melhores gostos que ela experimentava. Quando o motivo das lágrimas era a tristeza, ela também gostava de sentir aquele gosto, afinal no meio daquele turbilhão de sentimentos ruins, o gosto do choro era o melhor...ou o menos pior.
Mesmo quando estava no banho e tentava esconder o choro em meio aquela agua que nela caía, o gosto da lágrima quando chegava até a boca dela, era inevitável.
E mais uma vez ela se sentia triste por sentir-se sozinha. Veja, sentir-se sozinha. Não que ela estava. E a vontade de chorar vinha, mas ela queria ser forte, se sentir forte, se parecer forte. Era orgulhosa e não queria chorar na frente da menina que parecia ser a mais feliz do mundo: ela mesma. 
Engoliu o choro. Sentiu ele subir e descer de novo pro lugar de onde veio. Ouviu uma ou duas músicas alegres e viu algumas fotos que davam saudade...mas uma saudade feliz. Não teve jeito. A menina forte enfraqueceu em questão de segundos. Foi o tempo de correr para o banheiro, fechar a porta, olhar-se no espelho e se fazer companhia enquanto chorava. Via as próprias lágrimas caindo em direção a sua boca e sentia o gosto que ainda não havia definido se era bom ou ruim. Enxergava com os olhos meio embassados ela mesma ficando mais feia.
Era necessário que ela se visse feia chorando assim algumas vezes, como um estímulo. Quem foi que disse que chorar não é bom? Ela aprendeu que chorar era uma forma de desabafo consigo mesma e de alívio. 
Foi chorando que ela aprendeu a ser mais forte. Forte mas não de pedra. Ela se aturava, se consolava e se amava. Isso bastava - quase sempre.

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