quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Amor em SP

Eu tive a certeza que existe amor SIM em São Paulo em um fim de tarde de outubro.
Era em torno das 18h, a cidade com um trânsito impossível e com cara de chuva.
Eu sentada no ônibus, na janela, ouvindo uma música qualquer e olhando pro nada. Do outro lado da rua tinha um daqueles limpadores de vidro que quando para no seu carro você só faz um sinal com a mão e diz "hoje não, valeu!". Então, ele olhou pra mim e piscou. Sem ver qualquer tipo de reação da minha parte ele veio em direção a minha janela e não teve duvidas ao desenhar um coração no vidro com seu limpador encharcado de sabão. Desenhou e saiu andando. Como se não esperasse mesmo alguma reação da minha parte. E realmente, não tive reação. Só fiquei olhando o coração ir se desmanchando e secando no vidro no ônibus.
Fiquei parada na mesma posição pensando quantas vezes por dia ele fazia isso e quantas pessoas pararam pra pensar que ele, um limpador de vidro de farol, sem querer nada, sai espalhando um gesto de amor por aí.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O dormir

Antes de começar eu queria deixar bem claro que eu sei que dormir é um verbo. Na minha história ele vai ser o sujeito.
Se o dormir fosse um homem, ele seria aquele que eu sempre sonhei. As mulheres correriam atras e ele seria atencioso, gentil e simpático. Cheiroso e bonito de se ver. Aquele do tipo que toda mulher quer ter. Eu deixaria de dormir por ele. Eu dormiria com ele.
Se o dormir fosse uma mulher, seria sem dúvidas, a mais gostosa de todas. Aquela que passa e todos reparam. Doce e carinhosa. Uma boa amiga, se bobiar. Aquela que ouve seus sonhos e te faz acreditar neles.
O dormir é a hora do dia que todos - ou pelo menos grande parte da população que é lúcida - esperam chegar. É a hora gostosa, que as preocupações dormem em um canto, os problemas em outro, os amores em outro - esse dorme num canto mais perto - e você...você dorme com você mesmo.
Se o dormir fosse uma pessoa, ela seria aquela que quando você acorda e olha pro lado, a vê e deseja ficar o dia inteiro lá, sem fazer absolutamente nada a não ser...dormiZzzZzZzZzz...

domingo, 16 de setembro de 2012

Nova programação

Parece que a gente já nasce programado. Ou não. Ou é a gente mesmo que, sem perceber, vai se programando conforme tentam mostrar o que é certo ou bonito.
Que sociedade é essa que parece que mais gosta de ser mandado do que mandar? Ta errado.
Já começa na infância, mais ou menos aos 4 anos, onde o certo é a menina ter uma boneca e o menino um carrinho. Por que é que um menino não pode ter uma boneca também? Ou a menina gostar de carrinho? Aí você me diz: "Mas não, meu filho nunca gostou de boneca, ele é macho igual ao pai." E que tipo de macho é esse que ainda tem a ideia de que boneca é só pra menina? Em qual manual ta escrito que se um menino gostar de boneca ele vai ser gay? Do jeito que as coisas andam, é capaz da menina querer ganhar um carrinho e brincar mais do que o menino.
É o pré-conceito. Que muitos dizem não ter, mas que em pequenos gestos, tem. E o pior, inconscientemente.
E é aí que ta, o inconsciente. Você cresce com uma cabeça, e quanto mais cresce, mais aí dentro da cachola parece diminuir a inteligência. Inteligente ultrapassa muito mais do que uma nota boa. É questão de ser inteligente de cabeça e de caráter.
E o ser humano é assim. Sorte daqueles alguns que conseguem ver além do óbvio. Ver que antes de um corpo, cada um tem uma alma. E é nela que você deve colocar toda a forma de você. Ser igual aos que convive é facil, eu quero ver é ser diferente e, de fato, fazer a diferença.
O que o mundo precisa é de mais gente que prefira fazer por si mesmo ao envés de mandar. Gente que queira amar pelo recheio e não pela embalagem. Gente que tenha medo de ser igual a todo mundo. Gente que cuspa tudo o que sente e não tenha vergonha de ser quem é, mesmo quando a televisão vai te mostrar o contrário. Gente que veja a programação pra acrescentar e não pra ser programado. Gente que goste de gente. 

domingo, 2 de setembro de 2012

Egoísmo irônico

Cheguei a conclusão que nós somos um bando de egoístas. E sim, me incluo nisso.
Estava no escuro do meu quarto esperando o sono chegar e ouvindo a garoa. Quis logo que caísse uma chuva danada, pra que eu pudesse dormir melhor. E olha só que irônico, eu mesma tenho medo de chuva - aquele medo bobo de infância que todo mundo tem e depois que cresce passa. O meu não passou. Ou eu não cresci, tanto faz.
Segundos depois eu quis que a chuva não fosse tão forte quanto eu tinha pensado, porque me lembrei que tem muita gente que mora em barranco ou que fazem da rua a sua casa.
Eu quis uma chuvinha, só pra poder ter o luxo de dormir ouvindo aquele barulhinho gostoso que ela faz. Desde que eu não sentisse a chuva, ela não me atrapalharia. Depois fiquei com peso na consciência novamente, porque do mesmo jeito que uma chuva forte pode atrapalhar muita gente, o meu luxo também pode.
Quem mora na rua não quer ter um som pra poder dormir. As vezes o que eles só querem é ter um motivo pra querer acordar.
E vê se pode, eu aqui no conforto da minha cama, pedindo uma chuva por puro egoísmo.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

História de metrô

Adoro estar no metrô e ver tanta gente dentro de sua respectiva bolha, ouvindo sua musica alta, lendo seu livro ou só observando os outros, assim como eu.
Adoro pensar que cada uma daquelas pessoas tem uma história de vida, e que ao mesmo tempo que uma pode estar triste, a outra pode estar soltando fogos por dentro.
Eu quero um dia sentar numa estação de metrô, só com um banquinho e a minha paciência. Com uma placa "Ouço histórias" e esperar qualquer um vir começar a contar.
Observar pessoas é o que de mais legal eu faço quando ta tudo chato. Ja tentou? Ver como a menina sorri lendo a provável mensagem de um garoto qualquer. Ver como a mãe liga no fim de tarde pro filho falando que já esta voltando pra casa ou ver como o menino vai todo se achando malandro pra escola, mas mal tem barba na cara.
E mesmo eu conseguindo ver esses pequenos detalhes nas pessoas, eu queria mesmo é ouvir as milhares de histórias que passam pelo metrô todo dia. E se cruzam como se o outro não importasse. De fato, não importa. Mas eu to disposta a me importar. 

terça-feira, 17 de julho de 2012

São Paulo ao contrário.

Eu entendo que é da natureza ter as quatro estações, mas pô, parece que em São Paulo não tem isso não. É chuva no verão, calor no inverno, frio na primavera. É tudo invertido.
É a cidade em que você tem que sair de casa preparado pro que der e vier: tsunami, deserto do saara, vulcão, terremoto ou qualquer outro fenômeno.
Esse frio tá de sacanagem acho. Não só o frio né, porque você vai andando pela cidade e um termometro mostra 7 graus, outro mostra 11 e outro a 200 metros mostra 47. 
O frio dói, da carência e favorece meu sedentarismo. Da vontade de comer e dormir o dia inteiro, mesmo isso sendo a ultima coisa que você realmente pode fazer. 
Por isso que eu sempre digo que amo o verão. Na verdade, amo o calor e o sol, porque não ta dando pra confiar muito nessas estações. 
Se essa São Paulo fosse minha eu colocava uma ordem nesse tempo doido e mandava ladrilhar com pedrinhas de brilhante para o meu amor passar.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Decepção por opção

Decepção não mata, mas machuca. E a culpa de tudo isso é minha mesmo, que coloco muita expectativa nas coisas mais mínimas que existem. 
É o que eu sempre pensei - pensei, mas quase nunca consegui colocar em prática -: quanto menor a expectativa, menor a decepção. Ou seja, quanto mais alto você subir, maior a chance de a queda machucar. Já coloquei expectativa em muita coisa que não valia nem metade do que eu realmente esperava. Na nota que eu ia tirar na prova, no presente que eu ia ganhar de Natal ou do elogio que minha mãe ia fazer quando eu cortasse o cabelo, e o pior: esperei muito das pessoas. Esperei muito de gente que era quase nada. E esperar uma hora cansa. Ou dói.
Preguiça de gente que não sabe dar valor pro sentimento alheio. Egoísmo...é isso que é. Preguiça de gente que é preguiçosa demais pra enxergar além do próprio umbigo.
Um desejo: menos decepção e mais expectativa. Mais expectativas alcançadas e menos quedas doídas, pra mim. Pra nós.