terça-feira, 18 de março de 2014

Sobre a ressaca do amor

Nos primeiros dias é difícil levantar da cama. A vontade de fazer nada é maior que a vontade de fazer tudo. Parece que um caminhão de sofrimento estaciona em cima de você. É como se o mundo fosse acabar amanhã e ao envés de estar rindo, você espera chorando.


Depois dessa fase, é a hora que cai a ficha - e essa hora sempre chega - "ele nem era tudo isso". Porque a paixão (paixão sim, porque aquilo não era amor) é assim mesmo: faz você amar as qualidades e os defeitos do outro, faz colocar o outro em primeiro lugar e faz você ter quase certeza de que ele é o cara certo - quase certeza. 


É aí que bate o arrependimento. Não necessariamente por ter vivido aquele romance-paixão-amor, mas por não ter enxergado antes as coisas como elas realmente eram. Mas a paixão (paixão sim, porque aquilo não era amor) faz você ficar de óculos escuro 24h por dia e enxergar tudo de uma forma menos dolorosa aos olhos. O problema é que quando você tira o óculos já é tarde demais e aí, o sol já se pôs. 


Depois, finalmente, a ressaca passa. A dor de cabeça e a ânsia já foram embora. A vontade de ficar na cama o dia todo também passa. Surge a vontade de sair e ver o sol ardido e forte como ele é, sem proteção alguma para os olhos. E de conhecer gente nova e sentar com os velhos amigos. E de sentir-se bem com você mesma. E se achar linda quando se colocar na frente do espelho. E de lembrar que você tem sempre que estar em cima do pódio da sua própria vida - em primeiro lugar. 


Porque paixão é ser feliz; amor é fazer o outro feliz. 



Citação: "Paixão é ser feliz. Amor é fazer o outro feliz." - Fabricio Carpinejar

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Sobre o que eu aprendi até aqui

Cheguei aos 20.
Se tudo ocorrer como o planejado, ainda tenho uns 80 anos pela frente.
Alguns conselhos úteis - ou nem tanto - que posso dizer até então:

1. DURMA! Durma muito na época de escola. Aproveite enquanto ainda você pode dormir até enjoar de dormir.
2. Acredite quando seus pais disserem que estudar é sua ÚNICA obrigação - quando estiver na escola.
3. Aproveite e ame MUITO seus pais. Assim como você, eles só vão envelhecer.
4. Ajude velhinhos na rua, um dia você será um deles.
5. Ao enves de gastar 15mil na sonhada festa de 15 anos, viaje. O dinheiro que seus pais gastarão em 5h de festa podem ser bem aproveitados em 1 mês fora do país.
6. Questione as coisas que você não entende - inclusive aquela fórmula de matemática que você achou que nunca mais iria precisar.
7. A chance do seu primeiro amor não ser o amor da sua vida é enorme. Portanto, sofra um pouco e esqueça.
8. Não seja escravo do seu trabalho, você ainda terá muitos anos pela frente pra fazer isso.
9. Queira sempre aprender mais. Conhecimento é uma das únicas coisas que ninguém pode te tirar.
10. Experimente alimentos novos - e só diga que não gosta depois de provar.
11. Cultive seus grandes amigos de infância. Provavelmente serão eles que estarão com você no dia do seu casamento.
12. Tenha seu próprio estilo. Aos 20 anos as pessoas vão estar preocupadas com coisas mais importantes do que a marca da sua roupa.
13. Faça exercicíos. Ser sedentário depende exclusivamente de você.
14. Coma muita besteira enquanto criança. Coma tudo o que quiser. Você só vai entender que te faz mal à beira dos 20.
15. Começe a colocar seus sonhos e projetos em prática. As pessoas mais incríveis da nossa geração tem menos que 30 anos.
16. Não dependa dos outros pra (quase) nada. Nem sempre as suas expectativas são as mesmas que as das pessoas.
17. Não segure o xixi e beba muita água. Evite ter pedra nos rins antes dos 15.
18. Faça pequenas gentilezas no dia a dia. Isso vai fazer bem pro seu ego.
19. Escolha uma faculdade que você goste. Estudar o que te interessa torna isso muito mais agradável.
20. TODOS OS DIAS: agradeça a Deus por estar vivo. Como disse o Emicida, "a vida é só um detalhe".

Um dia me perguntaram o que eu mais gostava de fazer. Hoje, a resposta é: dar risada.
Rir das alegrias, rir das tristezas, rir quando não pode rir e rir quando for a única coisa que você puder fazer.
Dar risada faz bem pra vida e pra alma.
Se eu cheguei até os 20 dando risada de quase tudo, chegar aos 100 me parece mais fácil dessa forma.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Sobre uma mente vazia

Uma mente vazia pode ser um problema. Ou uma solução.
Antes de dormir.
Tudo escuro.
Entre o instante que você já está com sono e o momento em que você pega no sono.
Enquanto seu corpo já desligou mas sua mente ainda não, porque ela precisa de um certo tempo pra isso acontecer.

Uma mente vazia pode ser um problema porque ela abre oportunidade pra você pensar o que não deve, criar coisas na sua cabeça, e o pior: acreditar que elas podem ser reais. Isso pode te deixar maluco.
Juntar uma mente vazia com uma tristeza é sinônimo de alimentar esse sentimento. É natural do ser humano querer sofrer um pouquinho mais da sua própria tristeza - seja pensando no que "poderia ter sido" ou ouvindo aquela música triste e brega de 2003 que é a Top1 na sua playlist emocore.

Uma mente vazia pode ser solução poque ela abre oportunidade pra você pensar o que você não tinha pensado, pra ver o que não tinha visto ou ver o que já havia visto mas por outra perspectiva.
Dizem que é quando a mente está vazia que nosso lado criativo aflora.

Estar com a mente vazia, muitas vezes te faz virar um stalker de primeira classe, uma cabeça com ideias mirabolantes (que, vai por mim, se você não anotá-las na hora, pode ser que na manhã seguinte você não se lembre de nada) ou um leitor espetacular - seja do ego.com, de uma biografia interessante ou do status que seus amigos postam no Facebook.

Mas veja a diferença, por favor: eu digo ESTAR com a mente vazia e não TÊ-LA.
Que estar com a cabeça vazia seja um estado de espírito e não uma característica.
As ideias mais interessantes que eu conheço surgiram de mentes brilhantes enquanto estavam vazias - e não de mentes vazias enquanto tiveram um instante de brilho.

Estar com a mente vazia é sonhar acordado.
Ou,
Querer ter sono pra poder sonhar.

*Escrito a meia noite e cinquenta e quatro de uma noite de calor, no completo escuro, apenas com a luz do celular iluminando alguma parte do quarto.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Sobre um pouco do amor

No começo, o amor é tudo. É tudo o que você faz, tudo o que você tem, tudo o que quer fazer e tudo que acha que tem. No começo, o amor é puro e egoísta. No começo, tudo é em função dele. É a fase que você fica cego.

Mais pra frente, o amor é razão. É a razão pela qual eu escrevi aquilo, tirei aquela foto, fui naquele lugar e fiz aquilo lá. É a razão da briga e a razão da separação.

Aí, o amor é escolha. É na época da vida que você já cresceu e percebe que, além do amor, a vida lhe permite algumas coisas e te cobra outras. É o momento que você escolhe entre o amor de balada ou o amor de domingo; o amor de levar pro motel ou de levar pra conhecer a família.

Depois, o amor é prioridade. E essa, talvez, seja a fase mais difícil. É quando você sabe que é amor, mas não sabe organizar a prioridade das coisas na sua vida. É quando você tem certeza que é amor, mas tem medo de sentir que o sorriso de uma pessoa pode te deixar no chão. É quando você acha que três coisas conseguem ocupar o primeiro lugar sem que nenhuma delas saia desgastada (que, na maioria das vezes, é o amor). É quando você não consegue decidir se fica com esse amor ou espera o próximo chegar, numa esperança de que o amor verdadeiro só chega depois dos 25. É quando você acha que colocar o amor como prioridade talvez não seja necessário, porque você ainda tem muito o que conquistar.

No final, o amor é tudo, de novo.
É quando o corpo, cansado, diz pro coração que só um amor reconstrói tudo. E aí você acredita e resolve amar um novo amor ou resgatar aquele que deixou de lado na fase da escolha - sem saber que aquele amor passou na sua frente e já encontrou alguém que o quisesse como prioridade. É quando você se dá conta que as pessoas esperam, mas o coração não. 
É quando você descobre que no fim, 
a base do tudo, 
é o amor.