quarta-feira, 25 de abril de 2012

Amor demais é demais.

Amo amar meus amigos. Odeio amar demais as pessoas.
Eu e essa minha mania de criar um sentimento gigante sobre as pessoas que são pequenas demais pra suportar: pequenas na mente e no coração.  Pô, tá tão difícil amar hoje em dia...e eu que tenho de sobra ninguém leva a sério.  Essa minha mania de abrir meu mostruário de sentimentos pra qualquer um que me der mais de cinco minutos de conversa, e depois perceber que a minoria dessas pessoas estavam de fato preocupadas comigo e que a maioria eram apenas curiosos.
Queria saber de onde o Criolo tirou que "não tem amor em sp". Com não tem? Tem sim senhor, e tem muito. É tão fácil ver o amor. E nem sempre é necessário os olhos pra enxergar. O cão-guia que acompanha seu dono em todos os lugares, o moço que dá uma moeda pra moça com um nenem pedindo dinheiro na rua, essa moça cuidando da sua criança, o motorista que parou no sinal verde pra deixar o estudante atrasado correr pra pegar o ônibus...isso tudo é amor.  Tem gente precisando entender que amor não é aquilo que o casal sente um pelo outro. Aliás, se você pensa que amor é só isso, queria te dizer que você se enganou...isso é egoísmo.
A gente foi feito de amor, literalmente. E de amor temos que viver.  Amar muito é gostoso, mas nem sempre é alegre. Quando você começar a reparar o quanto de não-amor as pessoas tem, aí sim você vai entender o começo desse texto. Mas não mude. Não mude porque amor faz bem, FAZ BEM.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Ela e a lágrima

O gosto que ela não esquecia era o da lágrima. Aliás, esse é um dos que ninguém esquece. 
Um sabor doce misturado com amargo. Que independente do motivo de ela cair, o gosto era o mesmo.
Nas vezes que ela chorava de alegria, era um dos melhores gostos que ela experimentava. Quando o motivo das lágrimas era a tristeza, ela também gostava de sentir aquele gosto, afinal no meio daquele turbilhão de sentimentos ruins, o gosto do choro era o melhor...ou o menos pior.
Mesmo quando estava no banho e tentava esconder o choro em meio aquela agua que nela caía, o gosto da lágrima quando chegava até a boca dela, era inevitável.
E mais uma vez ela se sentia triste por sentir-se sozinha. Veja, sentir-se sozinha. Não que ela estava. E a vontade de chorar vinha, mas ela queria ser forte, se sentir forte, se parecer forte. Era orgulhosa e não queria chorar na frente da menina que parecia ser a mais feliz do mundo: ela mesma. 
Engoliu o choro. Sentiu ele subir e descer de novo pro lugar de onde veio. Ouviu uma ou duas músicas alegres e viu algumas fotos que davam saudade...mas uma saudade feliz. Não teve jeito. A menina forte enfraqueceu em questão de segundos. Foi o tempo de correr para o banheiro, fechar a porta, olhar-se no espelho e se fazer companhia enquanto chorava. Via as próprias lágrimas caindo em direção a sua boca e sentia o gosto que ainda não havia definido se era bom ou ruim. Enxergava com os olhos meio embassados ela mesma ficando mais feia.
Era necessário que ela se visse feia chorando assim algumas vezes, como um estímulo. Quem foi que disse que chorar não é bom? Ela aprendeu que chorar era uma forma de desabafo consigo mesma e de alívio. 
Foi chorando que ela aprendeu a ser mais forte. Forte mas não de pedra. Ela se aturava, se consolava e se amava. Isso bastava - quase sempre.