Teve uma madrugada que eu lembrei da gente. Lembrei dos passos que a gente deu junto até chegar ao fim. De como a gente jurou o pra sempre, até que ele acabou.
Éramos dois idiotas completamente felizes, mesmo quando o resto do mundo não acreditava em nós. Tudo bem, a gente acreditava.
Lembrei dos dias de sol a pino, quando mesmo aquele calor que ora incomodava, ora ardia, nos fazia enxergar um céu mais bonito. Quando um banho de mangueira na garagem fresca da sua casa era o suficiente pra matar nosso calor de amor.
E que mesmo nas estações mais frias, e as nem tanto assim, a gente arrumava um aconchego pro nosso carinho. Era de debaixo da coberta, perto de uma fogueira feita por nós mesmos, dentro de um abraço ou apenas embaixo da lua mesmo. A lua era uma das nossas paisagens preferidas, e a vendo quando eu estava dentro dos teus braços ficava mais bonita.
Quando você estava feliz, eu estava por você também. E quando você estava triste, eu te fazia sorrir. Por vezes, eu fiquei triste quando você estava, mas depois de algumas lágrimas, percebi que era mais facil tirar um sorriso seu do que me embalar na sua tristeza.
A gente admirava as crianças no parque ou nos restaurantes e planejava a nossa. Já sabiamos o nome, a cor dos olhos, do que ela ia ou não gostar. A gente já sabia até onde iriamos morar e pra onde iriamos quando - por algumas horas - um enjoasse do outro.
A gente era tão criança naquele tempo...mas não importava, porque o futuro já tinhamos planejado.
Eu me imaginei velhinha ao teu lado, numa casa em um lugarzinho tranquilo qualquer, acordando cedinho e te fazendo um café...te fazendo cafuné. Eu lembrei que a gente levava nossos netos pra escola e depois passava o dia a toa, numa boa, eu com você e você comigo. Como se ainda fossemos crianças. Você me bastava.
Por fim, acabei lembrando que te esperei por tanto tempo e, na verdade, você nunca me apareceu. E que durante muito tempo eu desenhei e escrevi a nossa história, sem ao menos saber quem era você.
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