Amor,
Como você tem andado? Está perdido? Precisa de algumas rotas alternativas? Você ta demorando mais do que o combinado. Tudo bem se você acha chique atrasar uns 20 minutinhos, mas pô...esses minutinhos tão se resultando em anos, né?
Você deve ter parado em vários corações por aí perguntando informações sobre onde eu moro, ou achou que ja estava perto, mas não estava. Tipo batata quente né: ta quente, ta quente, ta esquentando, esfriou.
Enquanto você não acerta o caminho de uma vez por todas, eu espero aqui, mas não sentada. Confesso que ja saí procurando por você e acabei fazendo alguns pitstops também, mesmo sabendo que não era você.
É que você ta demorando. E a demora dá carência. A espera dá carência. Então nos dias de frio, por exemplo, eu ponho uma roupa quentinha e vou em busca de um coração que possa me esquentar, enquanto você não chega.
Pode ser que isso não chegue até você, afinal, não sei por onde você anda: se está quente, esquentando, frio ou congelando. Mas eu só queria dizer que eu to aguardando. E quando você chegar, vai ter bolo, café, cafuné, abraço e amasso. Vai ter lugar pra se esquentar e pra se esfriar. Pra gargalhar e chorar.
Cansei de tentar te procurar e só apanhar das pessoas sem sentimentos desse mundão. Já coloquei band-aid e to quase novinho em folha, esperando você chegar.
Amassos,
Coração
quarta-feira, 28 de março de 2012
quinta-feira, 22 de março de 2012
Preta Imaginária
A menina de pele preta e olhos curiosos quase que se camuflava naquela escuridão imensa do seu quarto. Tinha noite e madrugada. Tinha cobertor e cama. Só faltava o sono. O sono era como o goleiro do time: essencial. E como todo goleiro tem um reserva, o do sono, por sua vez, era a imaginação. Que aliás, o daquela menina era bastante aguçada.
Devia ser por volta de umas 3 da manhã de um outono misturado com verão. Ela, deitada na cama apenas com os olhos descobertos. Tinha o corpo inteiro coberto, mas era por mais medo do escuro do que pelo frio, em si.
Virava pra cá e virava pra lá, esperando o sono que já estava atrasado. Ela virou pro lado e bateu o olho naquela porta do armário. Que coisa mais maluca. Foi ali mesmo que a imaginação daquela preta se acumulou naquela madrugada.
Com um pouco de medo ela queria saber o que podia ter ali dentro. Quantos bichos? Quantos monstros? Quais super-heróis? Quantas pessoas a olhando?
E o que ela viu foi um moço, bonito. Com a aparência de um anjo. E ao envés de medo, o que a menina sentiu foi paz. Uma paz grande e boa. Como se o moço além de olhar pra ela, olhasse por ela. Ela percebeu que não era só imaginação, mas também não queria sair da sua cama para poder tocá-lo. O que ela queria é ficar ali, sentindo aquela paz até pegar no sono...ou o sono pega-la.
E toda noite a preta deixava um pouquinho da mesma porta do guarda-roupas aberta e a olhava fixamente esperando o moço a olhar dormir e trazer aquela paz boa. E ele trazia.
Ela nunca soube muito bem quem era ele, e na verdade, nunca procurou saber. Ele estando lá, bastava. E esteve durante muito tempo. Ele e sua paz.
Devia ser por volta de umas 3 da manhã de um outono misturado com verão. Ela, deitada na cama apenas com os olhos descobertos. Tinha o corpo inteiro coberto, mas era por mais medo do escuro do que pelo frio, em si.
Virava pra cá e virava pra lá, esperando o sono que já estava atrasado. Ela virou pro lado e bateu o olho naquela porta do armário. Que coisa mais maluca. Foi ali mesmo que a imaginação daquela preta se acumulou naquela madrugada.
Com um pouco de medo ela queria saber o que podia ter ali dentro. Quantos bichos? Quantos monstros? Quais super-heróis? Quantas pessoas a olhando?
E o que ela viu foi um moço, bonito. Com a aparência de um anjo. E ao envés de medo, o que a menina sentiu foi paz. Uma paz grande e boa. Como se o moço além de olhar pra ela, olhasse por ela. Ela percebeu que não era só imaginação, mas também não queria sair da sua cama para poder tocá-lo. O que ela queria é ficar ali, sentindo aquela paz até pegar no sono...ou o sono pega-la.
E toda noite a preta deixava um pouquinho da mesma porta do guarda-roupas aberta e a olhava fixamente esperando o moço a olhar dormir e trazer aquela paz boa. E ele trazia.
Ela nunca soube muito bem quem era ele, e na verdade, nunca procurou saber. Ele estando lá, bastava. E esteve durante muito tempo. Ele e sua paz.
quinta-feira, 15 de março de 2012
O amor que não veio.
Teve uma madrugada que eu lembrei da gente. Lembrei dos passos que a gente deu junto até chegar ao fim. De como a gente jurou o pra sempre, até que ele acabou.
Éramos dois idiotas completamente felizes, mesmo quando o resto do mundo não acreditava em nós. Tudo bem, a gente acreditava.
Lembrei dos dias de sol a pino, quando mesmo aquele calor que ora incomodava, ora ardia, nos fazia enxergar um céu mais bonito. Quando um banho de mangueira na garagem fresca da sua casa era o suficiente pra matar nosso calor de amor.
E que mesmo nas estações mais frias, e as nem tanto assim, a gente arrumava um aconchego pro nosso carinho. Era de debaixo da coberta, perto de uma fogueira feita por nós mesmos, dentro de um abraço ou apenas embaixo da lua mesmo. A lua era uma das nossas paisagens preferidas, e a vendo quando eu estava dentro dos teus braços ficava mais bonita.
Quando você estava feliz, eu estava por você também. E quando você estava triste, eu te fazia sorrir. Por vezes, eu fiquei triste quando você estava, mas depois de algumas lágrimas, percebi que era mais facil tirar um sorriso seu do que me embalar na sua tristeza.
A gente admirava as crianças no parque ou nos restaurantes e planejava a nossa. Já sabiamos o nome, a cor dos olhos, do que ela ia ou não gostar. A gente já sabia até onde iriamos morar e pra onde iriamos quando - por algumas horas - um enjoasse do outro.
A gente era tão criança naquele tempo...mas não importava, porque o futuro já tinhamos planejado.
Eu me imaginei velhinha ao teu lado, numa casa em um lugarzinho tranquilo qualquer, acordando cedinho e te fazendo um café...te fazendo cafuné. Eu lembrei que a gente levava nossos netos pra escola e depois passava o dia a toa, numa boa, eu com você e você comigo. Como se ainda fossemos crianças. Você me bastava.
Por fim, acabei lembrando que te esperei por tanto tempo e, na verdade, você nunca me apareceu. E que durante muito tempo eu desenhei e escrevi a nossa história, sem ao menos saber quem era você.
Éramos dois idiotas completamente felizes, mesmo quando o resto do mundo não acreditava em nós. Tudo bem, a gente acreditava.
Lembrei dos dias de sol a pino, quando mesmo aquele calor que ora incomodava, ora ardia, nos fazia enxergar um céu mais bonito. Quando um banho de mangueira na garagem fresca da sua casa era o suficiente pra matar nosso calor de amor.
E que mesmo nas estações mais frias, e as nem tanto assim, a gente arrumava um aconchego pro nosso carinho. Era de debaixo da coberta, perto de uma fogueira feita por nós mesmos, dentro de um abraço ou apenas embaixo da lua mesmo. A lua era uma das nossas paisagens preferidas, e a vendo quando eu estava dentro dos teus braços ficava mais bonita.
Quando você estava feliz, eu estava por você também. E quando você estava triste, eu te fazia sorrir. Por vezes, eu fiquei triste quando você estava, mas depois de algumas lágrimas, percebi que era mais facil tirar um sorriso seu do que me embalar na sua tristeza.
A gente admirava as crianças no parque ou nos restaurantes e planejava a nossa. Já sabiamos o nome, a cor dos olhos, do que ela ia ou não gostar. A gente já sabia até onde iriamos morar e pra onde iriamos quando - por algumas horas - um enjoasse do outro.
A gente era tão criança naquele tempo...mas não importava, porque o futuro já tinhamos planejado.
Eu me imaginei velhinha ao teu lado, numa casa em um lugarzinho tranquilo qualquer, acordando cedinho e te fazendo um café...te fazendo cafuné. Eu lembrei que a gente levava nossos netos pra escola e depois passava o dia a toa, numa boa, eu com você e você comigo. Como se ainda fossemos crianças. Você me bastava.
Por fim, acabei lembrando que te esperei por tanto tempo e, na verdade, você nunca me apareceu. E que durante muito tempo eu desenhei e escrevi a nossa história, sem ao menos saber quem era você.
terça-feira, 6 de março de 2012
Em exagero
Comecei a acreditar naquela coisa de que tudo em exagero faz mal. Faz mesmo...quase tudo.
Tomar yakult demais faz mal pro organismo. Tomar fora demais faz mal pro ego.
Muita bebida faz mal pra memória.
Amar demais pode doer. Desamor demais é fatal.
Verdade demais machuca. Mentira demais destrói. Egocentrismo demais acaba.
Assistir muita televisão faz você parar de pensar por si só. Acreditar demais na mídia, também.
Acreditar muito nos outros pode fazer mal pra sua cabeça. Não acreditar em ninguém te deixa desconfiado.
Trabalhar demais desgasta. Não trabalhar leva ao ócio.
Gritar demais faz mal pra garganta. Não gritar faz mal pra nossa raiva.
Ter muitos amigos é confuso. Não ter nenhum é triste.
Ser criança demais é infantil. Ser grande demais é dificil.
O que eu te digo com toda certeza que não faz mal em exagero é viver. Viver! Porque se a gente não viver tudo, ninguém vai viver pela gente. Viva, e viva muito. Viva com exagero, viva na sua, viva na vida do outro, seja parte da vida de outro. Viva na miúda, viva para ser aplaudido. Viva pra você, viva pra ninguém. Viva pra todos.
Viva e erre. Viva e acerte. Acerte de novo.
Tomar yakult demais faz mal pro organismo. Tomar fora demais faz mal pro ego.
Muita bebida faz mal pra memória.
Amar demais pode doer. Desamor demais é fatal.
Verdade demais machuca. Mentira demais destrói. Egocentrismo demais acaba.
Assistir muita televisão faz você parar de pensar por si só. Acreditar demais na mídia, também.
Acreditar muito nos outros pode fazer mal pra sua cabeça. Não acreditar em ninguém te deixa desconfiado.
Trabalhar demais desgasta. Não trabalhar leva ao ócio.
Gritar demais faz mal pra garganta. Não gritar faz mal pra nossa raiva.
Ter muitos amigos é confuso. Não ter nenhum é triste.
Ser criança demais é infantil. Ser grande demais é dificil.
O que eu te digo com toda certeza que não faz mal em exagero é viver. Viver! Porque se a gente não viver tudo, ninguém vai viver pela gente. Viva, e viva muito. Viva com exagero, viva na sua, viva na vida do outro, seja parte da vida de outro. Viva na miúda, viva para ser aplaudido. Viva pra você, viva pra ninguém. Viva pra todos.
Viva e erre. Viva e acerte. Acerte de novo.
quinta-feira, 1 de março de 2012
Vaso sanitário
Quem é que não curte ficar sentado no trono vendo a vida passar na cabeça, tentando achar solução pros problemas grandes e pequenos ou só fazendo força mesmo?
Ô momento gostoso. De reflexão.
É o tempo de você sentar e pronto...sua cabeça vai a mil pensando os pensamentos mais inuteis e também os mais necessários.
Quem nunca pegou um livro pra ler sentado na privada? Ou um gibi ou uma revista ou um livro escolar?
Privada, que de privada ela nao tem nada! É uma injustiça. É pra ela que o que a gente tem de mais sujo vai, o que a gente tem de não-saudável. Ela é uma grande guerreira. Imagina ter que aguentar tanta merda todo dia...
E é de privada em privada que eu vou resolvendo essa minha vidinha, lendo uns gibis e vendo as coisas boas que a vida tem.
Ô momento gostoso. De reflexão.
É o tempo de você sentar e pronto...sua cabeça vai a mil pensando os pensamentos mais inuteis e também os mais necessários.
Quem nunca pegou um livro pra ler sentado na privada? Ou um gibi ou uma revista ou um livro escolar?
Privada, que de privada ela nao tem nada! É uma injustiça. É pra ela que o que a gente tem de mais sujo vai, o que a gente tem de não-saudável. Ela é uma grande guerreira. Imagina ter que aguentar tanta merda todo dia...
E é de privada em privada que eu vou resolvendo essa minha vidinha, lendo uns gibis e vendo as coisas boas que a vida tem.
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