quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Sobre uma mente vazia

Uma mente vazia pode ser um problema. Ou uma solução.
Antes de dormir.
Tudo escuro.
Entre o instante que você já está com sono e o momento em que você pega no sono.
Enquanto seu corpo já desligou mas sua mente ainda não, porque ela precisa de um certo tempo pra isso acontecer.

Uma mente vazia pode ser um problema porque ela abre oportunidade pra você pensar o que não deve, criar coisas na sua cabeça, e o pior: acreditar que elas podem ser reais. Isso pode te deixar maluco.
Juntar uma mente vazia com uma tristeza é sinônimo de alimentar esse sentimento. É natural do ser humano querer sofrer um pouquinho mais da sua própria tristeza - seja pensando no que "poderia ter sido" ou ouvindo aquela música triste e brega de 2003 que é a Top1 na sua playlist emocore.

Uma mente vazia pode ser solução poque ela abre oportunidade pra você pensar o que você não tinha pensado, pra ver o que não tinha visto ou ver o que já havia visto mas por outra perspectiva.
Dizem que é quando a mente está vazia que nosso lado criativo aflora.

Estar com a mente vazia, muitas vezes te faz virar um stalker de primeira classe, uma cabeça com ideias mirabolantes (que, vai por mim, se você não anotá-las na hora, pode ser que na manhã seguinte você não se lembre de nada) ou um leitor espetacular - seja do ego.com, de uma biografia interessante ou do status que seus amigos postam no Facebook.

Mas veja a diferença, por favor: eu digo ESTAR com a mente vazia e não TÊ-LA.
Que estar com a cabeça vazia seja um estado de espírito e não uma característica.
As ideias mais interessantes que eu conheço surgiram de mentes brilhantes enquanto estavam vazias - e não de mentes vazias enquanto tiveram um instante de brilho.

Estar com a mente vazia é sonhar acordado.
Ou,
Querer ter sono pra poder sonhar.

*Escrito a meia noite e cinquenta e quatro de uma noite de calor, no completo escuro, apenas com a luz do celular iluminando alguma parte do quarto.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Sobre um pouco do amor

No começo, o amor é tudo. É tudo o que você faz, tudo o que você tem, tudo o que quer fazer e tudo que acha que tem. No começo, o amor é puro e egoísta. No começo, tudo é em função dele. É a fase que você fica cego.

Mais pra frente, o amor é razão. É a razão pela qual eu escrevi aquilo, tirei aquela foto, fui naquele lugar e fiz aquilo lá. É a razão da briga e a razão da separação.

Aí, o amor é escolha. É na época da vida que você já cresceu e percebe que, além do amor, a vida lhe permite algumas coisas e te cobra outras. É o momento que você escolhe entre o amor de balada ou o amor de domingo; o amor de levar pro motel ou de levar pra conhecer a família.

Depois, o amor é prioridade. E essa, talvez, seja a fase mais difícil. É quando você sabe que é amor, mas não sabe organizar a prioridade das coisas na sua vida. É quando você tem certeza que é amor, mas tem medo de sentir que o sorriso de uma pessoa pode te deixar no chão. É quando você acha que três coisas conseguem ocupar o primeiro lugar sem que nenhuma delas saia desgastada (que, na maioria das vezes, é o amor). É quando você não consegue decidir se fica com esse amor ou espera o próximo chegar, numa esperança de que o amor verdadeiro só chega depois dos 25. É quando você acha que colocar o amor como prioridade talvez não seja necessário, porque você ainda tem muito o que conquistar.

No final, o amor é tudo, de novo.
É quando o corpo, cansado, diz pro coração que só um amor reconstrói tudo. E aí você acredita e resolve amar um novo amor ou resgatar aquele que deixou de lado na fase da escolha - sem saber que aquele amor passou na sua frente e já encontrou alguém que o quisesse como prioridade. É quando você se dá conta que as pessoas esperam, mas o coração não. 
É quando você descobre que no fim, 
a base do tudo, 
é o amor.