domingo, 16 de setembro de 2012

Nova programação

Parece que a gente já nasce programado. Ou não. Ou é a gente mesmo que, sem perceber, vai se programando conforme tentam mostrar o que é certo ou bonito.
Que sociedade é essa que parece que mais gosta de ser mandado do que mandar? Ta errado.
Já começa na infância, mais ou menos aos 4 anos, onde o certo é a menina ter uma boneca e o menino um carrinho. Por que é que um menino não pode ter uma boneca também? Ou a menina gostar de carrinho? Aí você me diz: "Mas não, meu filho nunca gostou de boneca, ele é macho igual ao pai." E que tipo de macho é esse que ainda tem a ideia de que boneca é só pra menina? Em qual manual ta escrito que se um menino gostar de boneca ele vai ser gay? Do jeito que as coisas andam, é capaz da menina querer ganhar um carrinho e brincar mais do que o menino.
É o pré-conceito. Que muitos dizem não ter, mas que em pequenos gestos, tem. E o pior, inconscientemente.
E é aí que ta, o inconsciente. Você cresce com uma cabeça, e quanto mais cresce, mais aí dentro da cachola parece diminuir a inteligência. Inteligente ultrapassa muito mais do que uma nota boa. É questão de ser inteligente de cabeça e de caráter.
E o ser humano é assim. Sorte daqueles alguns que conseguem ver além do óbvio. Ver que antes de um corpo, cada um tem uma alma. E é nela que você deve colocar toda a forma de você. Ser igual aos que convive é facil, eu quero ver é ser diferente e, de fato, fazer a diferença.
O que o mundo precisa é de mais gente que prefira fazer por si mesmo ao envés de mandar. Gente que queira amar pelo recheio e não pela embalagem. Gente que tenha medo de ser igual a todo mundo. Gente que cuspa tudo o que sente e não tenha vergonha de ser quem é, mesmo quando a televisão vai te mostrar o contrário. Gente que veja a programação pra acrescentar e não pra ser programado. Gente que goste de gente. 

domingo, 2 de setembro de 2012

Egoísmo irônico

Cheguei a conclusão que nós somos um bando de egoístas. E sim, me incluo nisso.
Estava no escuro do meu quarto esperando o sono chegar e ouvindo a garoa. Quis logo que caísse uma chuva danada, pra que eu pudesse dormir melhor. E olha só que irônico, eu mesma tenho medo de chuva - aquele medo bobo de infância que todo mundo tem e depois que cresce passa. O meu não passou. Ou eu não cresci, tanto faz.
Segundos depois eu quis que a chuva não fosse tão forte quanto eu tinha pensado, porque me lembrei que tem muita gente que mora em barranco ou que fazem da rua a sua casa.
Eu quis uma chuvinha, só pra poder ter o luxo de dormir ouvindo aquele barulhinho gostoso que ela faz. Desde que eu não sentisse a chuva, ela não me atrapalharia. Depois fiquei com peso na consciência novamente, porque do mesmo jeito que uma chuva forte pode atrapalhar muita gente, o meu luxo também pode.
Quem mora na rua não quer ter um som pra poder dormir. As vezes o que eles só querem é ter um motivo pra querer acordar.
E vê se pode, eu aqui no conforto da minha cama, pedindo uma chuva por puro egoísmo.